quarta-feira, 26 de abril de 2017

NA LOTÉRICA


A cena ocorreu na lotérica da Avenida Rotary no dia 25 de abril de 2017. Eu cheguei por volta das 13:20 horas para pagar uma fatura do meu telefone fixo. A fila não estava grande. Na minha frente tinha quatro pessoas. Nesse horário havia apenas dois caixas para atender o público.
Apesar de existir de forma bem assinalada um caixa preferencial para idosos e pessoas portadoras de alguma deficiência, naquele horário não estava funcionando. Talvez a atendente estivesse em horário de almoço. Julguei que seria essa a razão. O movimento não estava grande na última quarta-feira do mês.
Num dos caixas, um senhor estava trocando várias “tele senas” antigas por outras novas. Enquanto eu observava a cena, eu meditei um pouco sobre esse senhor. Não o conheço e nunca o vi antes em Curitibanos. Apenas julguei que devia ser um fiel cliente dessa modalidade de loteria. Apesar de chamarem a “tele sena” de “Título de Capitalização”, eu mesmo nunca vi capitalizar nada, a não ser para aqueles que são sorteados. Então está mais para loteria do que para um título de investimento financeiro.
Voltando ao senhor no guichê da lotérica: Ele entregou várias “tele senas” e a moça perguntou se ele queria trocar por novas. O senhor confirmou positivamente. Então ela disse que ele tinha que pagar mais sessenta e quatro reais para obter as novas “tele senas”. Foi o que o ancião fez.
Enquanto a fila não andava apareceu um outro homem. Esse foi lá para a frente e pediu se poderia ser atendido como cliente preferencial por causa da cor de seus cabelos brancos.
A caixa consentiu em atender esse “fura fila”. As pessoas que estava à minha frente meio que se revoltaram internamente com a atitude desse homem. Então pudemos ouvir a conversa dele com a atendente:
- Noventa e sete milhões? Estou vendo direito? - É noventa e sete milhões que a mega sena vai pagar hoje?
- É isso mesmo senhor. - Replicou a atendente de dentro do guichê por entre as frestas dos vidros propositadamente feitos para uma paliativa proteção.
- Então vou querer uma já preenchida.
- Não vai levar mais uma para o final de semana? - Ofereceu a atendente.
Nesse momento o cliente começou a perguntar sobre outras modalidades de loteria. Enquanto havia esse diálogo, nós, que estávamos na fila indiana nos revoltávamos intimamente. O homem à minha frente voltou-se para mim e disse:
- Além de furar a fila, ainda quer conversar? Assim não dá!
Eu não respondi nada! Apenas esperei a minha vez pacientemente. Então, depois de ser atendido ponderei sobre o ocorrido. Notei que a maioria das pessoas que compram bilhetes de loteria, jogam na mega sena e tele sena são pessoas de certa idade. Adultas! É uma tradição dos idos tempos da loteria federal ou da loteria esportiva. modalidades tão promulgadas nos anos setenta do século passado, inclusive pelo programa “Fantástico” da Rede Globo, onde havia uma zebrinha que era audiência certa nas noites de domingo.
Se é certo ou errado apostar em loterias, eu não darei minha opinião. Cada um faça o que quiser com seus trocados. O que não posso concordar é com a furação de filas por parte de pessoas que querem apenas apostar na sorte, enquanto outras pessoas querem depositar, pagar contas, transferir ou mesmo sacar dinheiro nas lotéricas.

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