Texto de Antonio Carlos Popinhaki
Na linhagem de Pavlo Popiwniak encontramos um filho chamado Oleksa (Alexandre), que imigrou para o Brasil e que gerou Gregório, que por sua vez foi pai de Pedro. Pedro Popinhaki era o meu pai. Agora, chegou a vez de contar um pouco das histórias de vida dele, do quinto filho do casal Gregório Popinhak e Emília Tulchak. Pedro nasceu na cidade de Três Barras/SC, em uma época em que seu pai trabalhava como operário na madeireira Lumber. Encontrei seu registro de nascimento, de número 1865, nas folhas 26 e 26 verso, do Livro de Registro de Nascimentos do Cartório Civil de Três Barras. O documento diz:
“Aos trinta dias do mês de dezembro do ano de mil novecentos e vinte e sete, neste Distrito de Três Barras, Comarca de Ouro Verde, Estado de Santa Catarina, em meu cartório compareceu o senhor Gregório Popinhaki, natural do Paraná, casado em Antônio Olinto, Estado do Paraná, operário, residente neste Distrito, o qual declarou que em seu domicílio, no dia vinte do corrente, às seis horas da manhã, sua mulher Dona Emília Popinhaki, natural do Paraná, deu à luz uma criança do sexo masculino, de cor branca, que recebeu o nome de PEDRO, sendo filho legítimo dele. Declarou ainda que os avós paternos são Alexandre e Anna Popinhaki, e os maternos, Lucas e Maria Tulchak. Para constar, lavrei este termo, que foi assinado pelo declarante, pelas testemunhas Antônio Dias Ferreira e Francisco Jensura, e por mim, Francisco Fernandes (...), oficial do Registro Civil.”
Esse foi o registro de nascimento de Pedro Popinhaki. Ele sempre nos contava que sua data real de nascimento era 1.º de dezembro de 1927, mas seu pai, ao registrar tardiamente, acabou colocando a data errada: 20 de dezembro de 1927. Por isso, sempre comemoramos seu aniversário no dia 1.º de dezembro, considerando essa a data verdadeira.
Pedro acompanhou a família quando se mudaram para a localidade de Marombas, interior de Curitibanos/SC em 1937, onde permaneceram por vários anos. Foi lá que ele cresceu e se tornou um jovem, trabalhando em diversos serviços braçais ao redor de casa.
Agora, contarei algumas das muitas histórias reais de Pedro Popinhaki. Participei de algumas delas, enquanto outras me foram contadas por pessoas que o conheceram bem. Todas foram atestadas como verídicas, e por isso as registro aqui.
Desde pequeno, Pedro trabalhou com o pai em diversos serviços na fábrica de pasta mecânica e papelão em Marombas. Também ajudou na montagem da Indústria de Cartão Sbravatti Ltda., no Rio das Pedras, que na época era conhecida como Marombas Bernardoni, em referência a um dos sócios, Hugo Bernardoni.
Nessa fábrica, há uma tubulação de cerca de um metro de diâmetro que transporta água do Rio das Pedras para uma turbina hidráulica. Durante a construção da fábrica, Pedro recebeu a tarefa de pintar o interior dessa tubulação. Ao ver os tubos, percebi a coragem que ele teve. Até hoje, é algo assustador de se olhar, principalmente por ser um espaço fechado e escuro. Mas Pedro entrou lá e fez o trabalho com maestria, sem reclamar da falta de luz, do pouco oxigênio ou do risco de vida.
Certa vez, ele conheceu uma jovem chamada Eleonora Matthez. Os dois se casaram na Igreja Católica no dia 9 de maio de 1953, um sábado de muita alegria para o casal. Dessa união, nasceu uma filha, Adélia Matthez Popinhaki, em 4 de abril de 1954.
Pedro sempre foi um homem de poucos recursos financeiros. Enquanto morava em Marombas e arredores, trabalhou em diversos serviços. Chegou a trabalhar para um cunhado, Ilto Pires de Almeida, em uma propriedade próxima à vila de Marombas. Ele e a esposa moravam em uma casa cedida pelo patrão.
No entanto, Ilto, que era temperamental, bebia bastante e tinha um comportamento ameaçador, costumava mandar Pedro trabalhar longe de casa, deixando Eleonora sozinha. Aproveitando-se da situação, ele tentava seduzir a esposa de Pedro. Segundo Brunislava Popinhak, irmã de Pedro e esposa de Ilto, “Eleonora resistia, mas, sob ameaças, acabou cedendo”. Ilto confessou a traição à própria esposa em um momento de embriaguez, mas a ameaçou de morte caso ela contasse a Pedro.
Brunislava, após muito hesitar, decidiu contar a verdade ao irmão. Pedro, então, reuniu seus poucos pertences, despediu-se da esposa e da filha, e deixou a propriedade. Eleonora chorava e implorava para que ele não fosse embora, dizendo que o amava e que havia sido forçada a traí-lo devido às ameaças de Ilto.
O desfecho dessa trágica história foi a desestruturação de ambas as famílias. Os filhos de Brunislava e Ilto cresceram com traumas permanentes, assim como Adélia, que foi criada por diversos parentes, sem um lar fixo. Os efeitos desse episódio persistiram por anos. Em 2015, os inventários resultantes do falecimento de Ilto Pires de Almeida ainda não haviam sido resolvidos, devido à falta de consenso entre as partes envolvidas.
Apesar de profundamente ferido, Pedro não se deixou abater. Ele deixou Marombas e mudou-se para Curitibanos, onde trabalhou como motorista. Anos depois do incidente, começou a trabalhar com os irmãos em diversos serviços. No início dos anos 1960, enquanto vendia rádios pelo interior, conheceu minha mãe, Terezinha Ferreira de Souza, na localidade de Palmares, hoje município de Brunópolis, em Santa Catarina. Em 1962, casaram e constituíram nova família.
Essa é parte da história de Pedro Popinhaki, um homem que, apesar das adversidades, seguiu em frente, deixando um legado de resiliência e coragem.
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