quarta-feira, 17 de agosto de 2022

O BANCO INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE SANTA CATARINA S.A. — INCO



Texto de Antonio Carlos Popinhaki


O Banco Indústria e Comércio de Santa Catarina S.A. — INCO foi fundado oficialmente em 23 de fevereiro de 1935. Antes dessa data, em 1934, um grupo de pessoas influentes, residentes no Vale do Itajaí, em Santa Catarina, organizaram a instituição bancária, para torná-la competitiva, uma vez que naquele ano, em Santa Catarina, havia formalmente apenas nove agências bancárias. Destas, sete pertenciam ao Banco Nacional do Comércio e duas eram do Banco do Brasil (Florianópolis e Joinville).

A partir da instalação da “República Nova” e com a promulgação da Constituição de 1934, houve um favorecimento quase que despercebido às instituições financeiras e aos bancos particulares. No estado de Santa Catarina, destacou-se nessa época o Banco Indústria e Comércio S.A. — INCO. A partir do início das suas atividades, cresceu consideravelmente a rede bancária no estado.

Entre os seus fundadores estavam os nomes de Irineu Bornhausen, Bonifácio Schmidt, Victor Konder, Antônio Ramos, Augusto Voigt, moradores da cidade de Itajaí e Otto Renaux, morador da cidade de Brusque. Os anais da história registram que houve uma dificuldade, por parte de um ou mais dos nomes citados, de descontar um cheque no interior, mais especificamente, na região do Alto Vale do Itajaí, na cidade de Rio do Sul. Essas pessoas, conhecendo o currículo invejável do senhor Genésio Miranda Lins, o convenceram a participar do projeto da criação do banco, como o principal organizador.

Genésio Miranda Lins nasceu em Itajaí, em 23 de agosto de 1903. Aos “12 anos de idade, em 1915, começou a trabalhar como auxiliar tipográfico do jornal O Farol, que pertencia ao seu tio. Três anos depois, em 1918, tornou-se funcionário do Banco Nacional do Comércio, exercendo a função de servente. Fez carreira dentro do Banco e, em 1926, chegou ao posto de gerente da agência de Itajaí. Em 1931, integrou a diretoria da Associação Comercial de Itajaí. Em 1935, a convite dos empresários Otto Renaux e Irineu Bornhausen, dirigiu o Banco da Indústria e do Comércio de Santa Catarina e, mais tarde, foi o seu Presidente. Na sua gestão, expandiu a atuação da instituição dentro e fora do Estado de Santa Catarina, e incorporou o Banco Agrícola e Comercial de Blumenau”.

Na Assembleia Geral do dia 23 de fevereiro de 1935, tendo como capital inicial a importância de Rs 1.200:000$000 (um mil e duzentos contos de réis), criou-se o Banco Indústria e Comércio de Santa Catarina S.A. — INCO na cidade de Itajaí. A instalação definitiva ocorreu no dia 18 de outubro de 1935, no andar superior da empresa Almeida & Voigt. A primeira diretoria era composta pelos seguintes nomes: Cônsul Carlos Renaux, Diretor Superintendente das empresas Renaux de Brusque e seu filho, Otto Renaux. Bonifácio Schmidt, Diretor Presidente da Companhia Malburg S.A., Irineu Bornhausen, Diretor Presidente da Companhia Ithajayense de Phosphoros e da S. A. Usina Adelaide e Genésio Miranda Lins, ex-gerente do Banco Nacional do Commércio. Os nomes que compuseram a primeira diretoria eram uma garantia de capacidade e honradez, autorizando, dessa forma, a previsão do sucesso de um grande empreendimento, mais do que um simples banco comercial. 

Em 1936, absorveu a compra do Banco Agrícola de Bela Aliança (Rio do Sul), tendo o capital aumentado.  As agências bancárias foram abertas sucessivamente. No ano de 1943 instalou-se a agência de Curitiba. Já em 1944 outra agência foi instalada, dessa vez, na então Capital Federal, Rio de Janeiro. No dia 1º  de março de 1957, o Banco INCO adquiriu em São Paulo, o Banco Nacional (antigo banco ítalo-brasileiro com 32 anos de funcionamento). Na negociação, entraram 40 agências e respectivas cartas patentes. Também foi incluída uma autorização do governo brasileiro para operação de câmbio em todo território nacional. Em Itajaí foi inaugurado a nova sede, um edifício de 7 andares, localizado na Rua São Bento, nº 341. Dessa forma, em poucos anos o número de agências ultrapassou uma centena, com o objetivo de oferecimento e desenvolvimento de crédito no estado de Santa Catarina.

Mais um tempo e a expansão se fez presente em várias cidades do território brasileiro. No ano de 1968, o Banco INCO foi vendido para o Banco Brasileiro de Descontos — Bradesco, que tinha a sua sede em São Paulo. A justificativa para a venda foi que os fundadores que compunham a primeira diretoria de 1935 já estavam em idade avançada e alguns falecidos. Além do mais, havia uma tendência para a concentração das instituições financeiras em grandes centros. O Bradesco continuou por algum tempo com as atividades de forma linear em várias cidades de Santa Catarina, até absorver completamente o nome, a sede administrativa de Itajaí para Florianópolis. Nos seus 33 anos de existência operacional, os catarinenses sentiram uma expressividade no crescimento da economia regional.

Em Curitibanos, a história da agência do Banco Indústria e Comércio de Santa Catarina S.A. — INCO, passa pela competência do senhor Ceslau Silveira de Souza. Ele, que foi secretário da Superintendência Municipal, foi também correspondente bancário para o Banco do Brasil S. A., até o ano de 1944, quando assumiu a gerência local do Banco Indústria e Comércio de Santa Catarina S.A. — INCO. Inicialmente, essa agência bancária funcionou numa sala da sua própria casa, depois, mudou-se para a esquina das ruas Henrique de Almeida, com a Coronel Vidal Ramos (onde hoje está localizado o estacionamento da agência do Bradesco).

Para a construção da sede da agência, as atividades foram exercidas nas instalações, onde futuramente funcionou a Loja Danúbio. Em fevereiro de 1951, o novo prédio da agência bancária do Banco INCO foi inaugurado em Curitibanos. Era uma bela construção por onde passaram vários nomes de pessoas ilustres de Curitibanos, como o ex-prefeito Evaldo Amaral, Maria Baptista Nercolini e Darci Moreira de Almeida.

Após a incorporação, o Bradesco, ao longo dos anos da década de 1970 e 1980, modernizou constantemente a agência, optando pela demolição do antigo prédio, deixando em seu local, apenas um espaço vago para estacionamento.



Referências:


PAULI, Evaldo. Banco INCO. Blog Mural Histórico de Itajaí. On-line, disponível em: http://muralhistoricodeitajai.blogspot.com/2010/02/banco-inco.html


MEMÓRIA POLÍTICA DE SANTA CATARINA. Biografia Genésio Miranda Lins. 2022. Disponível em: <https://memoriapolitica.alesc.sc.gov.br/biografia/1078-Genesio_Miranda_Lins>. Acesso em: 17 de agosto de 2022.


Banco Indústria e Comércio de Santa Catarina. A Notícia. Joinville, 19 out. 1935. p.4, Disponível em: <http://memoriapolitica.alesc.sc.gov.br/rNTg0OTI=>. Acesso em: 26 set. 2017.

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